28 de outubro de 2011

Manoel de Barros

Hoje, pela manhã,
encontrei um caracol ao lado da minha cama.
Faltou-lhe um muro...
mas não a solidão.

No telhado, haviam vários sabiás,
porém, sem orvalhos na voz.
Afinal, estamos em outubro.
É o de setembro que tem orvalho.

Em cada canto do meu quarto
eu encontrava um bicho.
Jacarés, sapos, caracóis...

e todos eles recitando versos,
cantando orvalhos
murmurando solidão.

Ê mundão que me causa
meu livro de cabeceira.


George Ardilles
João Pessoa - PB

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