20 de novembro de 2009

(...)

20 de novembro de 2009
A palavra prende
entre o dente e a boca.
Um misto de raiva e cansaço.

Às vezes me pergunto se os animais
sofrem de raiva.
Acho que não.
Eles não têm tecnologia para a raiva.
Aliás, só os homens e as mulheres
sofrem de tecnologia.

Com suas devidas ressalvas,
sofrem de computadores,
sofrem de televisão,
de jogos e de novelas.

O homem deixou de ser animal
e passou a ser computador.
Por isso ele sofre daquilo que é.
Tecnologia.

Os animais, que não o homem,
também sofrem de tecnologia...
(agora me veio...)
...sofrem da tecnologia que os homens inventam.


George Ardilles

30 de outubro de 2009

George Ardilles recita "Salvador D'á Alí" no Café em Verso e Prosa

30 de outubro de 2009

27 de outubro de 2009

(...)

27 de outubro de 2009
Era vermelha da cor da acerola.
Da cor do tomate.
O gosto vermelho do tomate tem gosto de água.
O da acerola tem azedo no começo.
Vitamina C no final. No meio tem língua.
A laranja também vitamina C.
Mas amarela.
A acerola tem mais. Será, pois, vermelha?

Em casa nunca teve pé de nada.
Nunca pude saber das cores das frutas.
Em casa tinha pé de plásticos em cima das mesas.
Às vezes nos cantos.

Me intrigava frutas azuis.
Na natureza do plástico era fácil os azuis.
Na natureza de verdade nunca comi seus azuis.
Nem sei se os têm.

Qual o sabor do azul?
Será que gosto de plástico?

Prefiro o segredo.

Plástico tem gosto de mentira.

George Ardilles

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Os gatos na grama, ao pé, tamarineiro, preguiçam.
Pessoas na calçada, de pé, estressam.

Deitados ao sol da praça sofrem de preguicite aguda.
Ou não.
Apenas são gatos.

É sempre assim na universidade.
Esquanto uns preguiçam na grama
palavras em papel,
gatos são gatos estressando homens.

As árvores de gatos se infestam de altura.
Da terra ao céu. Sem ser ilusão.
Os homens de ciência se infestam em verdades...
dos pés à cabeça. Sem ser...

George Ardilles

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À beira da noite, a Lua passa refletindo um rio.
Ou mar.
Em cima dos peixes os barcos os pescam.
Ou não.
Pescados na mesa eu como.
Outros nem sabem ou comem.
A fome não deixa.

A cada dia de dia ou noite um come.
Ou não.
A cada dia de dia ou noite um fome.
Sim.
Por verdade não come, não come.
Por não ter o que come, no chão.

George Ardilles
 
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